
“Todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam” – Isaías 64:6
A narrativa alegórica a seguir utiliza os elementos por comparação para atingir uma realidade superior. Não pode, simplesmente, ser iniciada na seqüência “era uma vez”. Primeiro, porque não se trata de uma história. Depois, porque ela se refere à última fase de uma História, cujos capítulos anteriores foram suprimidos por razões que a própria História omite. E, por fim, porque a estrutura obedece ao formato de uma parábola.
Se for contá-la para alguém, portanto, comece dizendo:
“Era uma última vez” uma folha verde, viçosa, pujante. Todos esses fatores, presentes nela, eram o efeito de estar ligada a uma frondosa árvore. A folha, no entanto, cultivava dentro de si, e em sigilo, incontrolável desejo de propor uma ruptura com a árvore. Dizia em seu coração: “Aqui é ótimo! Não posso negar. Desfruto da companhia de amigos, tenho o melhor da seiva. Nada me falta. Penso que poucos seres neste mundo convivem num ambiente tão feliz. Mas não posso me manter presa a tudo isso, apenas por esses parâmetros. Certamente existem outros horizontes. Tão lindos quanto este ou melhores. Quem não ousa arriscar na vida, nunca poderá fazer tais descobertas. Imagino ser assim, por sentir que a única maneira de incursionar por algumas dessas maravilhas, as quais, acredito estarem além de minha imaginação, fora daqui. Para chegar a essa busca, preciso me desligar dessas minhas raízes.
Foi um dia, outro dia e vários dias. O tempo passou lentamente, sem conseguir dissipar tais pensamentos no coração da folha. Os planos de liberdade de uma prisão permanente à árvore, cultivados dia após dia, capturava sua mente. Vivia absorta com o que se passava longe de seu ambiente de convivência. Um pressentimento a assaltava freqüentemente, na indagação: E se eu for ficando, me acostumando, até me acomodar como os demais moradores desse, digamos, condomínio? Quanto mais jovem escapar, mais chance de conquistar espaços. No vigor da juventude, terei ânimo para lutar, resistir e alcançar metas. Adiando minha jornada, estarei restringindo cada vez mais minhas oportunidades. Olha lá quantas folhas estão, nesse instante, se libertando e partindo em busca de outras perspectivas.
“Há muitas pessoas que dependem muito do próximo, para todas as coisas da fé. Não estudam a escritura, mas se apóiam no conhecimento das pessoas que estudam. São impacientes e se irritam com facilidade, mas esperam que outros demonstrem paciência para com todos os seus enganos. São egoístas e criticam todo mundo, mas esperam que todos sejam tolerantes e não critiquem nunca. Ofendem com facilidade e se consideram Cristãs sinceras, mas que ninguém as ofenda jamais. O pior é que se dão por ofendidas até quando ninguém as ofende”.
De fato, naquele mesmo instante folhas voavam alegremente, conduzidas pelo vento. Quanta felicidade desperdiçada, aqui, presa à árvore, limitada pela falta de coragem para arriscar. Não seria ela que ficaria por mais uma temporada ali, a ver os mesmos rostos todos os dias, embora todos eles amigos. Tinha medo de se conformar. Assim como a maioria de suas amigas havia feito.
“Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão” – Mateus 24:32
Nunca ocorreu à mente dessa personagem que ela corria perigo. Até o momento em que reuniu coragem para declarar à árvore seu desejo de partir. Conhecer seu horizonte. Traçar seu próprio caminho. Ser dona do próprio destino. Caminhar com as próprias pernas. Desenhar e realizar os próprios projetos. Um olhar compreensivo, emoldurado por largo sorriso, disfarçou no rosto da árvore a surpresa e preocupação advindas dos planos de liberdade anunciados por um membro daquela sociedade.
Apenas o fato de existir alguém insatisfeito constituía razão suficiente para ligar o sinal de alerta. Reunir o conselho e acionar planos emergenciais de salvaguarda. Mas tinha um problema. Naquele reino, tal como no céu, se seguia a lei da liberdade. Nenhum membro era subjugado. Seja forçando seu intelecto, pela retaliação, ameaça ou força física. Toda e qualquer ligação à árvore só podia ser feita voluntariamente. A batalha não era contra o físico. Era no campo das idéias. Ali, a obediência era fruto do amor. Todo membro era livre para escolher. Ninguém ali fora criado para ser marionete e robôs. Só se aceitava escolhas voluntárias, por amor.
Só havia um jeito de demover a folha de tais pensamentos. Pelo diálogo. Resgatar a vida pelo conselho sincero, o sacrifício demonstrado diariamente pela árvore, ocupada em alimentar a todos os membros com elementos acima da mera bebida e alimento cotidiano.
“Individualmente, por centenas de anos garantia-lhe sustento. Tinha lhe dado a terra. As leis que a regiam em harmonia com a natureza. As mais coerentes, sábias, mais verdadeiras e mais completas leis. Dera-lhe a inteligência, agora usada para investigar se com tudo isso ainda não teria algo mais. Dera-lhes o melhor estilo de vida. Uma visão universal do mundo e dos acontecimentos finais deste século. Que mais lhe faltava?
Só frutos.
Pura aparência desprovida de frutos não se é nada. Sem eles, não há alimento. Nem satisfação. Nem alegria. A NÃO SER A PROMESSA DE ALGO QUE NÃO EXISTE. O VAZIO EXISTENCIAL QUE ATINGE O CORAÇÃO EM UM MOMENTO INESPERADO, QUANDO O SER SE ENCONTRA A SÓS COM SUAS CULPAS E FRUSTRAÇÕES.
Argumentações retóricas não seriam suficientes para quem, como a folha, continuaria cultivando sentimentos voluntários de distanciamento. Um processo no qual os pensamentos virariam atos, estes dariam origem a hábitos. Estes últimos, não só definiriam o que ela escolhera ser, como decidiriam o seu caráter e o destino eternos.
Lágrimas não comoveriam um coração endurecido pela autonomia. A vaidade de decidir por conta própria o caminho a seguir ofuscara a razão. Alimentara o ego, este um dos deuses mais difíceis de ser combatido. Muito mais de ser vencido. Porque está sempre reforçado por outros dois deuses: a egolatria e o egoísmo. Em poucas palavras, o prazer incomensurável de se negar a dizer “não” a si mesmo.
“As estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos verdes”. – Apocalipse 6:13

Chegou a hora de ir. Os esforços diligentes, regados por lágrimas, não surtiram efeito. A folha havia decidido empreender trajetória solo. Algo que ela só descobriu após a enorme sensação de liberdade. Nunca tinha experimentado algo assim, impossível de dimensionar. Estava certa. Que sensação! Que diferença entre estar presa ao talo e agora voar livre. Flutuar sem a responsabilidade, prévia, de ter onde pousar. Prestar contas. Justificar atitudes, decisões, escolhas.
Ao posar no chão, foi recepcionada por dezenas de novas amigas. Beijinhos de saudações envolveram a folha, fazendo paulatinamente ela esquecer de onde acabara de chegar. Aquele mundo era melhor. Poderia, naquele começo, passar uma sensação de insegurança, mas era questão de tempo até ela se adaptar. De fato. Em pouco tempo as amizades triplicaram. Na mesma proporção da que desfrutava na árvore. Ambiente esquecido, deixando no passado, sem saudade que provocasse desconforto. Passeios, viagens, romances, sensações, conhecimento, ampliação dos horizontes.
Em meio a tanta maravilha e descobertas, não havia mais espaço para memórias da árvore. A única reminiscência dali tinha sido as palavras e olhares de despedida das outras folhas. Nenhuma de suas amigas ficara torcendo pelo fracasso e ruína da folhinha que partia. Aquele estilo de desejar que o outro quebre a cara, ela só tinha conhecido ali, na carreira solo. Era a única coisa com a qual tinha dificuldade de lutar e se adaptar.
Mas, enfim, era o caminho escolhido. Nada extraordinário, em comparação com os projetos que a folha se orgulhava de criar e dirigir com muito talento. O tempo passava. Um dia qualquer, num auto-exame ela percebeu uma manchinha branca em sua pele. Se não falhava a memória, já tinha visto em uma amiga que estava ali antes dela chegar. Não conseguia lembrar-se lá na árvore tinha visto algo do tipo. Tudo tem um preço, contemporizou. Mais tempo se passou e percebeu que aquela amiga mais experiente tinha agora uma mancha que aos poucos se alargava.
“No meio da sua praça, de uma e outra margem do rio, está a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês, e as folhas das árvores são para a cura dos povos”– Apocalipse 22:2
O verde, a pujança, a viscosidade eram expulsos à medida em que a mancha assumia partes da folha. “Tire essa cara de espanto, menina. Todos nessa comunidade passaram ou passarão por essa experiência”, minimizou uma velha folha, ao passar transportada pelo vento, ela mesma com mancha maior. “Por que vocês não me disseram isso, quando cheguei?”, indagou a folhinha, agora preocupada em auto-examinar a própria pele.
Mais tempos e a mancha tinha ampliado a área de ocupação. Passado mais alguns anos, havia tomado todo o corpo da folha. Suas amigas, antes verdes, agora apresentavam tons amarronzados. Secas. Sem vida. Como ela própria estava agora. Olhando para o alto, a folhinha viu suas amigas, cheias de vigor como as tinha deixado. Puxa! Como ela gostaria de poder voltar no passado. Retornar à segurança da árvore.
Foi despertada dos pensamentos pelo barulho de um instrumento sendo fincado no solo com firmeza. Mãos poderosas utilizavam a ferramenta, conhecida por ancinho, cuja extremidade transportava uma série de folhas secas de volta ao ar. O limite do vôo coletivo era a altura de um enorme saco plástico, onde dezenas de folhas se aglomeravam, agonizantes. Ali estava a maioria das amigas da folhinha. Foi quando entendeu que a próxima seria ela.
“Imaginar-se superior ou acreditar ser dono do julgamento para determinar, por si mesmo, o valor de todas as coisas, inclusive divinas, é apenas uma atitude de folha infrutífera que muito logo se secará.
“Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la”– Lucas 13: 9
Entre dor e lágrimas, as folhas verdes, sob a proteção da árvore, não entenderam.
“Como é que nossa amiga se secou tão rapidamente?”, indagaram. Como assim, tão rápido, foi há tanto tempo?
Sempre é assim. Enquanto se está desfrutando da vida não é possível se dar conta de que tudo passa rápido. O tempo é eterno para si. Menos para nós.
“Mas note que curioso: em vez de saber como gerar frutos, as folhas queriam saber como secar a folha”.
As folhas na árvore também corriam perigo.
No reino espiritual de Deus, o Eterno, há algumas orientações básicas de como sobreviver aos perigos deste mundo. Tomara Deus, não pensemos ser nós os legítimos donos da própria vida e do corpo. Se este corpo fosse nosso, dificilmente nós permitiríamos a ele sentir dor de cabeça, por exemplo. Transitar ileso, em meio à violência e dissabores deste mundo, só é possível sob a proteção de Deus.
“Se tivessem fé e não duvidassem, poderiam tudo. Mas que fique claro: não o que vocês quiserem, mas o que possam pedir a Deus em oração” Ah, e três coisas que influenciam na oração: Primeiro, o pedido que fazem. Depois, a fé com que pedem. Por último, a vontade de Deus que concede. Se o pedido coincidir com a vontade de Deus, e se for feito com fé, Ele concede. A oração é uma conversa com Deus com o objetivo de integrar nossa vontade a dEle. Quando há integração da vontade humana com a divina, o ser humano pode pedir o que quiser, pois sempre desejará o que Deus quer. E Deus lhe concederá tudo.
A folha não sabia que o reino que queria não era o reino que não queria. Só a árvore. Mas esta não foi ouvida. Se tão somente tivesse entendido a natureza salvífica e segura do reino em que estivera! Infelizmente, ela estava mais interessada no reino desse mundo. Não queria o dos Céus. Ninguém é capaz de acreditar que os Céus existem. Querem um mundo sem violência, de paz, a proposta desse Reino, mas são incapazes de querer estar ali e de crer que ele exista.
Creio na promessa bíblica de que Jesus voltará. E com a Sua segunda vinda, um novo reino será fundado.
“Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no Céu, há de vir, assim como para o céu o viste ir” (Atos 1: 11).
Parece longo o tempo de espera, visto que Jesus falou isso em Atos, dois mil anos atrás, e nunca voltou. Pela projeção feita pelas profecias da Bíblia a maior parte do tempo passou. O pensamento de que o tempo do fim é curto deveria nos alertar. Assim prevê a profecia bíblica. Tudo será muito rápido, pegando alguns de improviso. Por isso, agora, hoje, tudo é urgente.
“A tarefa de salvar amigos para Deus é missão dos cristãos. E os cristão têm pressa porque o fim se aproxima”.
Um dos sinais foi identificado pelo próprio Deus:
“Será pregado este Evangelho do Reino em todo o mundo, para ciência de todas as gentes, então, virá o fim”. – Mateus 24:14.
Poucas nações desconhecem o Evangelho da Bíblia hoje. Os sinais se cumprem sem que os percebamos. A menos que permitamos Deus nos despertar. Este e um dos temas da minha oração a Deus, por mim mesmo, e por você.

