
O senso de profundidade é algo bem além da busca que fazemos de Deus. É o que sentimos quando O encontramos:
Um jovem milionário empregava toda a sua fortuna em viagens aos pontos mais distantes do planeta na busca de um objetivo de vida: encontrar Deus. Esta era a maior necessidade de sua vida. Seu principal pensamento. Por essa busca, não importava quanto recurso financeiro fosse exigido. Ou sacrifícios, aventuras e desafios. A cada tentativa, no entanto, retornava frustrado.
“Deus está dentro de você”, ensinavam os grandes mestres. Mas ele nunca o tinha visto ali. “Refaça a mesma peregrinação de Deus, quando aqui esteve, e o achará no caminho”, completavam outros. A emoção de visitar as ruínas e supostas pegadas de um Deus, não era suficiente para preencher o vazio existencial causado pela ausência dEle.
Nada, porém, o fazia desistir da busca. Até chegar aos seus ouvidos a notícia de que um homem, conhecido pelo nome de Sábio, seria o único capaz de, finalmente, apresentá-lo a Deus. Se não fosse isto, pelo menos que o ensinasse a forma correta de chegar até Deus, encerrando a longa jornada.
Não esperaria nem um instante. Dirigiu-se para aonde estava aquele homem, num longíquo país. Ao achá-lo, não quis perder tempo. Sequer aceitou o convite para entrar na casa do anfitrião. Em lugar disso, tratou de bombardeá-lo com perguntas que exigiam respostas claras e objetivas. Tinha pressa de achar Deus.
“Siga-me”, pediu o sábio, entendendo não haver alternativas e que a longa procura havia desgastado a fé e confiança do rapaz, deixando a ambas por um fio. Andaram até uma bela praia, próxima à casa do sábio. “Vamos entrar”, determinou aquele nativo, enquanto o jovem atendia de imediato. Quando a água estava acima do peito do rapaz, o Sábio investiu sobre ele e o afundou. Apanhado de surpresa, tanto pela ação como pela inesperada força do homem, o rapaz passou a se debater na tentativa desesperada de salvar a vida.
Enquanto isso, uma profunda dor e frustração invadiu seu ser. Refletia ter vivido o tempo inteiro buscando a Deus e agora, morreria em sua busca em vão. Traído pelo seu sonho maior. Se ao menos tivesse ido ao lugar certo e a morte fosse causada por essa busca! Mas, não! Ali estava um pseudo conhecedor de Deus, no qual tinha depositado inteira confiança. Estava prestes a dar o último suspiro, quando o sábio inexplicavelmente o largou. O rapaz subiu rápido, disposto a recuperar o fôlego. Depois, tirar satisfação com o 'quase' seu algoz.
Mas antes, precisava respirar. Foi o que fez ao subir à tona. Naquele instante, seus pulmões quase queriam inspirar o suprimento inteiro de ar do planeta. Subiu buscando com todas as suas forças resgatar o ar perdidos. Recuperado, ele dirigiu-se ao sábio com inenarrável decepção:
- Até hoje passei a minha vida inteira buscando a Deus. Cheguei ao teu país crendo que o senhor seria, finalmente, o homem que me mostraria Deus. Mas, em vez disso, o senhor tenta tirar a minha vida?, questionou em tom de indignação, lamento e raiva o rapaz.
Retrucou o Sábio: "Meu jovem, quando você buscar Deus como buscou o ar para seus pulmões a poucos instantes, você o encontrará. Quando Deus for a coisa mais importante da sua vida, a principal novidade dos seu dia a dia. A razão maior do seu existir, então você o encontrará".
Para alguns, o encontro com Deus só se dará quando a busca for a coisa mais importante da sua vida. Quando Deus for uma questão de vida ou morte.
Mas me permita um pequeno ajuste nessa concepção. Eu concordo que para encontrá-Lo, devemos fazê-lo de todo coração, de todo ser. Como se fosse uma questão de vida ou morte. Mas não creio que seja necessário qualquer sacrifício. Ele está mais perto de nós do que a nossa vã imaginação pode projetar. Na verdade, É Deus quem está a nossa procura. Caso contrário, como explicar a Sua voz falando ao nosso coração.
Não uma vez, mas tantas vezes no dia. Digo isso com pureza de alma. Quem se atreveria a dizer o contrário. Negar já ter ouvido Deus falar a sua consciência. Ter tentado uma aproximação. Penso que a questão não é necessariamente procurar Deus. É não fugir dEle quando o encontrarmos. Algo que os seres humanos se especializaram desde Adão e Eva. “Onde estás?”, perguntou Deus, no Jardim do Éden. “Estávamos escondidos de Ti”, respondeu o casal, para tristeza de Deus.
Ah, como isso pode acontecer hoje? Posso responder com uma experiência comum na infância dos garotos? É comum para as crianças do sexo masculino brincarem de caçador. Com uma espada de madeira ou outro tipo de material eu e outros garotos já saímos mato adentro, brincando de caça ao “bicho”. “Está preso!”, bradávamos, com ar valente, de triunfo, diante de uma moita, onde estaria 'entrincheirado' um suposto inimigo.
Sem perceber, um dia daqueles, avançamos cada vez mais pelo interior do matagal, rendendo várias moitas. Até que, que os matos começam a se mexer em nossa direção. Então é que caímos em nós, percebendo estar superdistantes de casa. Os matos, porém, continuaram “andando” em nossa direção. “Ei!”, imploramos, em uníssono, como se tívessemos treinado o que dizer. “Estávamos só brincando. Não sabia que você era tão real”, dissemos isso e demos no pé.
Era só o nosso pai tentando nos pregar uma peça, para nos ensinar a não ficar tão longe de casa. Mas nós não o reconhecemos e fugimos. No dia a dia também acontece o mesmo entre você e Deus o Pai. Ele está aí, bem junto de você. Embora, quase inconscientemente, cobremos sua presença não estamos dispostos a essa experiência. Nesse instante, Ele está bem aí, do seu lado. Mas quando Ele o faz, você foge. “Não pretendia que fosse tão real”, pensa você antes de fugir.
Como assim? Será que um dia desses qualquer você não já ouviu alguém falando com tanta convicção de Deus e de como Ele está ao nosso lado? Será que não sentiu seu coração arder? E o que fez? Tentou abafar sua voz na sua cabeça ou procurou alimentá-la? Quando vezes você já tentou buscar a Deus? Pode ser que agora Deus tenha acabado de encontrá-lo. Qual a sua reação?
Sabe de uma coisa, Deus fez o nosso coração com a fechadura pelo lado de dentro para demonstrar o quanto nos respeita. Significa que só você pode abrir a porta. Que ele jamais forçará a entrada. Que ele chega à porta e bate. Se você abrir, ele entrará, senão, ficará à espera. Simplesmente, porque quer amor e relacionamento voluntários de você. Ele não quer alienados, por isso te deu liberdade de escolha.
Esses são detalhes do caráter de Deus que eu, particularmente, amo. Insisto:Talvez, nesse instante, Deus tenha acabado de achar você. Qual a sua reação? O que responde a Deus, ao Ele falar ao seu coração?
Que história é essa? Eu não ouço nenhuma voz me falando, muito menos a de Deus. Se você me diz isso,venha comigo. Quando vou ao bairro de São Cristovão visitar um amigo meu tenho a clara ilustração de como funciona a comunicação de Deus comigo. Sou obrigado a interromper o papo repentinamente na passagem das aeronaves sobre “nossas cabeças”. É um barulho ensurdecedor. Mas as pessoas se comunicam normalmente, às vezes com breves pausas. Dormem normalmente. Sonham.
Quando curioso pergunto aos amigos a respeito de como eles conseguem dormir ou conversar com tanta zoeira, eles simplesmente respondem: "Já acostumamos. Nem ouvimos mais!". É exatamente isso que ocorre quando ouvimos a voz de Deus, uma, duas vezes e tantas vezes, mas não damos ouvidos para obedecê-la. Chega ao ponto em que, por mais alta que ela fale ao nosso coração, não a ouvimos mais. É sufocada por outras vozes.No entanto, por mais que você negue que a ouve, ela te fala. Pode até tentar sufocá-la no pensamento. Mas não pode impedir que a voz de Deus continue falando ao seu coração.
Ao colocar essa voz em segundo plano, nos tornamos insensíveis. Isso leva tempo. A voz é então confundida com outros ruídos do dia a dia. Nossa mente não identifica mais a voz de Deus, enquanto seguimos os nossos próprios caminhos. Se, no entanto, passarmos a dar atenção à voz de Deus e a ela obedecermos, nosso relacionamento será cada vez mais íntimo com Ele. Cada vez mais seremos sensíveis ao que Deus está nos dizendo.
Seremos como aquele garoto que todos os dias brincava com Deus. Um dia ambos se divertiram tanto que não viram as horas passarem. Estava anoitecendo quando se deram conta. O garoto disse a Deus: "já está tarde. Fique para o jantar".
“Ok, estou com fome mesmo”, respondeu, amavelmente, Deus. Encerrado o jantar, Deus se ergueu da cadeira para ir embora, ao que o garoto falou: “Não, agora está mais tarde e Tua casa muito distante, dorme aqui em casa hoje”. Deus aceitou o convite.
No dia seguinte, ambos voltaram a brincar. Ao mesmo tempo, se distanciavam da casa do menino. Ficou tarde novamente e o garoto, superfeliz com a idéia de continuar com Seu amigo em casa, disse: “Olha, vamos para minha casa de novo, amanhã você vai embora para a sua”. Deus retrucou: “Acontece, que hoje nós estamos mais longe de sua casa e pertinho da minha. Hoje será você quem vai dormir na minha casa”.
Esta experiência está resumida na Bíblia, em Gênesis, capítulo 5, no verso 24. Claro, com a licença poética para colocar esse episódio na vida prática ou atualizado.
Veja você que o cristianismo prático não faz ninguém diferente ou mais santo do que os outros. A diferença estar em andar com Deus. Mas isto, se não nos livra de pecar, no coloca dispostos a lutar contra o pecado. Pecadores todos somos. A Bíblia diz isso: “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer”, Romanos no capítulo 3,no verso 10. Sem Deus, nosso eu toma o lugar que é dEle. Longe de Deus, temos incrível dificuldade em dizer não a nós mesmos.
Concluo, então, que ser cristão não faz as pessoas melhores e mais sintonizadas com Deus do que outra qualquer neste planeta. O que nos faz bons, puros e verdadeiros é o tipo de relacionamento que temos com Deus a cada dia. Andar com Deus é o meu maior sonho.
Sonho também com isso para você.


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